Revista Política e Planejamento Regional

Editorial da Edição atual

RPPR Rio de Janeiro, Vol. 8, Nº 3, Setembro a Dezembro de 2021, publicado em setembro de 2021

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No primeiro artigo este número, “Interseccionalidade no planejamento: construir uma cidade convivial com e para as mulheres”, a autora Rita da Cássia Gonçalo Alves pretende contribuir para a construção do pensamento a um modelo de cidade que atenda a perspectivas e diferenças de gênero que envolvem implicações além de econômicas. Por meio de reflexão teórica e demonstração de experiências práticas, se pergunta: que modelo de cidade poderia diminuir a injustiça social e atender as demandas de gênero? Ou melhor, ao se pensar em planejamento das cidades, nos serviços oferecidos, nos espaços públicos e privados, nos projetos habitacionais, dentre outros, que aspectos devem ser avaliados a fim de considerar também as necessidades femininas? Busca, assim, dialogar sobre a reprodução material da existência, que também atravessa a interseccionalidade de gênero na cidade, trazer à baila a dimensão política da nossa existência, apontando para uma cidade que caminhe numa direção mais claramente coletiva. --> link

À seguir, os autores Vinicius Ferreira Baptista e Wanderson Cesar dos Santos tem como objetivo, por meio da analise dados, mostrar no seu artigo “Territórios, políticas e manipulações: a Segurança Pública no olhar da letalidade violenta no Estado do Rio de Janeiro” as delimitações contextuais relativas à Política de Segurança Pública no Estado do Rio de Janeiro, entre 2019 e 2020, a partir da lógica das áreas de planejamento delimitadas pelo órgão da Polícia Militar. Conceitualmente pautados na dimensão da violência como um fenômeno político, a pesquisa tem finalidade aplicada, de abordagem quali-quanti, com objetivo exploratório-descritivo e caráter empírico. Por meio da análise de documentos normativos no âmbito da Segurança Pública que direcionam conceitualmente as ações do órgão, perceberam como a manipulação dos limites conceituais empregados na política formulada pode construir territórios mais ou menos violentos, assim como manipular uma política conforme interesses dos órgãos e não, necessariamente, a partir de uma leitura crítica sobre o fenômeno da violência. --> link 

O terceiro artigo “O cooperativismo no Rio Grande do Norte” de Boanerges de Freitas Barreto Filho pretende construir um cenário do cooperativismo potiguar, no período mais recente (de 2010 a 2018), com destaque aos principais ramos de atuação, a alterações nos quantitativos de cooperados e ocupações geradas pelo segmento. Para este fim, foram realizados pesquisa bibliográfica e levantamento de dados em sites de entidades representativas do segmento, como a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). Após sua análise chega a salientar que o cooperativismo agropecuário potiguar apresentou experiências exitosas ao longo da história principalmente nos momentos em que o Estado concedeu incentivos e recursos apesar do Estado ter sido complacente com as gestões pouco eficientes dos empreendimentos. --> link

O próximo artigo de Patricia Maíssa Ferragoni da Cruz com o título “Espaços rurais metropolitanos: Um olhar para as políticas públicas voltadas ao novo rural e às pressões urbanas” visa ampliar a discussão sobre a presença do rural nas metrópoles, por meio da perspectiva teórica das “Novas Ruralidades”, a qual propõe uma abordagem territorial desse espaço, reconhecendo suas particularidades e sua pluriatividade, e trazendo a ideia de que, até mesmo no contexto metropolitano, “nem tudo é urbano”. A partir deste novo enfoque, pode-se estimular a criação de políticas públicas próprias para a manutenção do rural metropolitano, com iniciativas para contenção da pressão urbana e também com incentivos à produção agrícola, à multifuncionalidade e à permanência de seus moradores. Ao fim, identifica-se aqui, através de uma revisão bibliográfica, políticas públicas que responderam de alguma forma a estas demandas e que podem servir de modelo a outros rurais metropolitanos. --> link