Revista Política e Planejamento Regional

Editorial da Edição atual

RPPR Rio de Janeiro, Vol. 8, No. 2, Maio a Agosto 2021, publicado em maio de 2021

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O primeiro artigo de Hugo Kamiya Tsutsui e Vanessa Lucena Empinotti com o título “O papel da água na atuação e reflexão do planejamento regional brasileiro: uma perspectiva histórica” tem por objetivo revelar as intersecções entre as discussões e modelos de desenvolvimento regional e a água, entre 1940 e 1997 – ano de promulgação da Lei das Águas a partir da análise do papel da água na historiografia da gestão hídrica e do planejamento regional brasileiro.  À medida que, sob atuação do Estado nos planos de desenvolvimento econômico, a relação entre água e planejamento regional brasileiro se estreitou a partir da década de 1940 e seus diferentes abordagens e objetivos refletiram seu contexto político-econômico, o trabalho analisou as atuações do setor público a partir dos paradigmas hidráulicos adotados, criação dos aparatos normativos e institucionais que viabilizaram estes planos, assim como as principais fundamentações teóricas que definiram tais práticas. Conclui-se que a água, sob diferentes objetivos, exerceu papel fundamental de insumo ao desenvolvimento, reduzindo-se a recurso natural dotado de valor econômico – em detrimento das suas múltiplas ontologias.

O segundo artigo com o o título “Regionalização e regiões na estruturação do território brasileiro no século XXI” da autoria de Jeferson Cristiano Tavares, problematiza o quadro recente de regionalização do território brasileiro à luz das suas trajetórias e com foco nas experiências contemporâneas. Com a finalidade de identificar a circulação de ideias que colaboraram nas suas formulações e apoiado em fatores socioeconômicos, históricos e culturais dos planos, programas e políticas públicas regionais das últimas três décadas, essas fontes são analisadas com referência ao conceitual europeu de coesão e norte-americano de práticas endógenas. Isto permite verificar que as diferentes regionalizações que ocorreram a partir dos anos 1990 podem ser interpretadas como uma tessitura capaz de estruturar o território porque orientam as ações estatais e as tomadas de decisão de investimentos. A conclusão destaca o histórico e a natureza dessa estruturação pelas permanências, pelos conflitos e anacronismos da prática da regionalização no Brasil. Mas, também propõe uma investigação epistemológica para a agenda de debates sobre o planejamento urbano e regional.